sábado, 1 de janeiro de 2011

Começando o ano

Quando nada ao seu redor parece fazer sentido, ou ser realmente necessário, e tudo está vazio por mais que nada falte. Quando a melancolia bate a porta e meu eu se desencontra de mim, e ser, apenas ser, é dor insuportável, pois o ser encontra-se perdido na falta do eu. Ser sem saber o que, sem conhecer nem a si, nem a seus desejos. Que direção tomar quando não parece haver direção, quando nenhuma direção parece ser uma saída?
            Perder-se em si e não encontrar o caminho de volta à lucidez, e nem a vontade de procurar tal caminho. Afinal, vale a pena tal sacrifício? Ou a falta de lucidez é a única forma de estar lúcido?
            Se o desencontrar-se for a única forma de saber o quão distantes estamos de, realmente, encontrarmo-nos, perder-se torna-se o único caminho.
            Se o vazio for o reflexo real de nossa insignificância perante o mundo, perante o próximo, perante coisas que não podemos conhecer, então o vazio é o estado onde mais completos estamos.
            E quando nada faz sentido, talvez possamos encontrar o verdadeiro sentido no novo, no que a vida nos revela ter mais importância a cada dia.
            Nossa capacidade de julgar nos permite tomar tantas conclusões quantas forem exigidas. Menos sobre nós mesmos. Se conhecermo-nos é tarefa tão árdua, em grande parte por nossa inconstância, como saberemos reconhecer aquilo que nos anima a viver sem que antes nos animemos em viver?

Feliz 2011.

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