domingo, 2 de janeiro de 2011

Vai, idade

Inquietude. A mente fervilha. Êxtase misturado ao sono: ainda é madrugada do segundo dia do primeiro ano da década, ano que abriga meu vigésimo aniversário. Duas décadas que me roubam o sono e o sossego! E a ânsia por realizações, crescimento e sucesso faz-se tão explicita que sobrepõe tudo, até mesmo o juízo.
Não sei se estou na crise dos vinte (aliás, nem sei se isso existe), mas devo confessar que, pela primeira vez, a idade se faz um fator ao qual eu sinto ser obrigado a dar alguma atenção.
Claro, sem exageros, afinal é de senso comum que vinte anos é apenas o começo de uma vida cheia de felicidades e sofrimentos. Não obstante, se levarmos em conta a expectativa de vida de um brasileiro hoje, que é de 73 anos, já estou beirando os 30% das alegrias e tristezas.
Engraçado observar que, na maioria dois casos, deixamos para nos dar conta de que o tempo passa quanto este já não se dispõe a trabalhar mais em nosso favor. Fato que deixa de ser trágico no momento em que evidencia a fragilidade de nossa percepção do eu perante o mundo.
O sofrimento é um resultado possível de diversas escolhas, assim como o é a felicidade. Contudo, deixamos para nos dar conta de que vamos morrer e que não somos felizes com a vida que vivemos quando já não resta mais nada a se viver. Triste ou cômico? Afinal, se escolhêssemos viver sabendo de nosso fim, talvez pudéssemos transformar a amargura em paz de espírito. Erramos, por escolha própria a vida inteira ao pensar que somos imortais, ou melhor, ao ver a morte como aquele parente distante, que você prefere ignorar, mesmo sabendo que um dia ele pode vir te visitar, e cobrar de você todas as realizações que você ambicionou, e que nunca teve força para concretizar.
Por tudo isso, sinto-me mais confortável em me frustrar já com o que não realizei, e em me cobrar excessivamente por mudanças, antes que os dias passem, e a frustração torne-se, irremediavelmente, companheira e arquiteta de meus dias, juntando-se a amargura e a tristeza em meu leito de morte.
Prevenir é SEMPRE melhor...

sábado, 1 de janeiro de 2011

Pensamentos de uma tarde ociosa

Grandes coisas só podem ser feitas quando há tempo suficiente para serem planejadas.
Diga-se o mesmo das coisas opostas: inúteis e sem real valor para quem quer que possa apreciá-las. Contudo, a sensação de inutilidade é um tanto relativa para ser avaliada de forma banal. Digo isto pois se imaginarmos aquele que cria, veremos partir de si sempre as críticas mais negativas, a menor valorização de seu trabalho (claro, em se tratar de certo tipo de pessoa, veremos justamente o contrário); e, da mesma forma que a critica, valoriza-a inexplicavelmente, talvez sabendo inconscientemente, que a obra que se cria, mesmo vã e desproveitosa, tem mais valor para si que aquela jamais realizada. E, por que não por pensar que, se está criada, possa vir a agradar quem que com ela tope em determinada altura?
Na verdade, não creio que grandes coisas necessitem de tempo para serem planejadas. Grandes coisas simplesmente ocorrem, nas bem-aventuranças de mentes brilhantes (Aposto que se uma maçã tivesse caído em minha cabeça, o máximo que poderia deduzir é que jamais deverei tirar um cochilo embaixo de um pé de jacas).
Felizmente, para mim e para quem tem a necessidade de criar para sentir-se vivo, não é proibido criar, mesmo que não sejam criações de grande qualidade; e, paradoxalmente, detesta-se e ama-se o que se cria, assim como detestamo-nos e amamo-nos ao mesmo tempo, pois toda criação é uma parte nossa, idealizada, materializada. Um pouco daquilo que flutua em nossas mentes e que carrega tanto significado quanto negamos ser possível carregar.
O que vale, de fato, é criar! Não precisa-se de talento nem tão pouco de inspiração. A arte de criar não necessita criatividade. É o exercício de exercitar a alma humana. Cantar a beleza envolvente dos mistérios de nossas mentes. Angústias, aflições, desejos, amores: sentimentos que nos compõem, que nos impulsionam, que nos dão vida a vida!


Sobre o que eu pretendia escrever mesmo?

Abraços!

Começando o ano

Quando nada ao seu redor parece fazer sentido, ou ser realmente necessário, e tudo está vazio por mais que nada falte. Quando a melancolia bate a porta e meu eu se desencontra de mim, e ser, apenas ser, é dor insuportável, pois o ser encontra-se perdido na falta do eu. Ser sem saber o que, sem conhecer nem a si, nem a seus desejos. Que direção tomar quando não parece haver direção, quando nenhuma direção parece ser uma saída?
            Perder-se em si e não encontrar o caminho de volta à lucidez, e nem a vontade de procurar tal caminho. Afinal, vale a pena tal sacrifício? Ou a falta de lucidez é a única forma de estar lúcido?
            Se o desencontrar-se for a única forma de saber o quão distantes estamos de, realmente, encontrarmo-nos, perder-se torna-se o único caminho.
            Se o vazio for o reflexo real de nossa insignificância perante o mundo, perante o próximo, perante coisas que não podemos conhecer, então o vazio é o estado onde mais completos estamos.
            E quando nada faz sentido, talvez possamos encontrar o verdadeiro sentido no novo, no que a vida nos revela ter mais importância a cada dia.
            Nossa capacidade de julgar nos permite tomar tantas conclusões quantas forem exigidas. Menos sobre nós mesmos. Se conhecermo-nos é tarefa tão árdua, em grande parte por nossa inconstância, como saberemos reconhecer aquilo que nos anima a viver sem que antes nos animemos em viver?

Feliz 2011.