Inquietude. A mente fervilha. Êxtase misturado ao sono: ainda é madrugada do segundo dia do primeiro ano da década, ano que abriga meu vigésimo aniversário. Duas décadas que me roubam o sono e o sossego! E a ânsia por realizações, crescimento e sucesso faz-se tão explicita que sobrepõe tudo, até mesmo o juízo.
Não sei se estou na crise dos vinte (aliás, nem sei se isso existe), mas devo confessar que, pela primeira vez, a idade se faz um fator ao qual eu sinto ser obrigado a dar alguma atenção.
Claro, sem exageros, afinal é de senso comum que vinte anos é apenas o começo de uma vida cheia de felicidades e sofrimentos. Não obstante, se levarmos em conta a expectativa de vida de um brasileiro hoje, que é de 73 anos, já estou beirando os 30% das alegrias e tristezas.
Engraçado observar que, na maioria dois casos, deixamos para nos dar conta de que o tempo passa quanto este já não se dispõe a trabalhar mais em nosso favor. Fato que deixa de ser trágico no momento em que evidencia a fragilidade de nossa percepção do eu perante o mundo.
O sofrimento é um resultado possível de diversas escolhas, assim como o é a felicidade. Contudo, deixamos para nos dar conta de que vamos morrer e que não somos felizes com a vida que vivemos quando já não resta mais nada a se viver. Triste ou cômico? Afinal, se escolhêssemos viver sabendo de nosso fim, talvez pudéssemos transformar a amargura em paz de espírito. Erramos, por escolha própria a vida inteira ao pensar que somos imortais, ou melhor, ao ver a morte como aquele parente distante, que você prefere ignorar, mesmo sabendo que um dia ele pode vir te visitar, e cobrar de você todas as realizações que você ambicionou, e que nunca teve força para concretizar.
Por tudo isso, sinto-me mais confortável em me frustrar já com o que não realizei, e em me cobrar excessivamente por mudanças, antes que os dias passem, e a frustração torne-se, irremediavelmente, companheira e arquiteta de meus dias, juntando-se a amargura e a tristeza em meu leito de morte.
Prevenir é SEMPRE melhor...